Luma Elora Aislin

Luma Elora Aislin
Sabá de Ostara

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sentindo o Natal....um texto para refletir Litha.....



Sentindo o Natal.
(um texto sob a vibração de Litha)

Então, é Natal! Fim de ano... De novo... Sou apaixonada por ler Bons Fluídos, já fui assinante, agora compro nas bancas, e já fazia alguns meses que eu não comprava, com o passar dos natais mudam as prioridades, mas talvez porque seja uma virginiana, os gostos perduram. E lá fui eu ao centro ontem, pagar contas e acabei fazendo um agrado ao meu coração, comprei a Bons Fluídos de dezembro... afinal das contas, é Natal!!!
Agora, com um calor de queimar cada fibra do corpo e da alma, deitei na rede para alimentar meu ser, com as letrinhas mágicas da revista.
Serviço é que não falta, mas depois de uma noite mal dormida, Julio com mais de 40º de temperatura, depois de antitérmico, compressas, reiki, termômetro, água, mãe dói aqui,...Mãe dói ali.... Finalmente adormeceu e com ele, eu. Deitada em um colchão ao lado da cama, de mãos com o filhote: eis a saga da mãe-enfermeira de plantão, de domingo à domingo, de natal à natal, 365 dias do ano, rsrsrs (preciso colocar o rsrsrs, é necessário que saibam que estou moída, mas dou risada...). Como ia dizendo, depois disso, uma manhã de sol radiante, a temperatura elevou-se em grandeza tal, aí vem a chuva, com direito a tempestade, já prevista no jornal do almoço, resumo, o sol encoberto de nuvens o mormaço paradão, faz o suor escorrer em bicas.
Que jeito, senão a rede e os Bons Fluídos. Começo a leitura e chega-se ao Natal, primeiro um artigo da psicóloga da coluna, onde fala do sentimento de tristeza que acomete alguns nesse período do ano. E, eu digo, que hoje acomete bem mais.
Então, cheguei ao maravilhoso Rubens Alves. Ah! Esse senhor me faz sonhar com as letrinhas, me deixa exultante com sua escrita sensível, de fortidão de alma, quão mágico é esse mineiro. Abrirei um parêntese, “Senhor Rubens, sou sua fã incondicional, com todo o respeito, o senhor é uma paixão, acredito piamente que nem a comida mineira pode ser mais saborosa, do que sua encantadora literatura. Obrigado por existir na minha vida!”.
Então, escreve o senhor Rubens o seguinte:
Para pensar durante a festa ( o título já é sugestivo, não?).
...o Natal não é para ser celebrado com comilança de glutão, desperdício de quilômetros de papel de presente, consumo, consumo, consumo. Isso não evoca nada o espírito dessa data.




Ele nos fala sobre a visita do Papai Noel às crianças, que receberam seus presentes, uma bola, um caminhão de madeira, uma boneca de pano, feita com carinho....todas as crianças da redondeza, exibiam com alegria seus presentes, menos Vinícius, um menino de 6 anos, o bom velhinho esquecera-se dele. Então, o menininho, se presenteou, pegou uma caixa de sapatos amarrada a um barbante, e foi desfilar seu presente.
Senhor Rubens arremata: “o Natal me deixa triste. Porque por mais que o procure, não o encontro. Natal é uma celebração. As celebrações acontecem para trazer do esquecimento uma coisa querida que aconteceu no passado. A celebração deve ser semelhante á coisa celebrada. Não posso celebrar a vida de Ghandi, com um churrasco. Ele era vegetariano, amava os animais”.
...”Agora um visitante de outro planeta que nada soubesse das nossas tradições, se ele comparecesse as festas de Natal, sem que nenhuma explicação lhe fosse dada, ele concluiria que o objeto da celebração deveria ser um glutão, amante das carnes, das bebidas, do estômago cheio, das conversas em voz alta, do desperdício”.
Se perguntar as crianças...
...”Dirão que o Natal é dia do Papai Noel, um velho barrigudo de barbas brancas, amante do desperdício, que enche os ricos de presentes e deixa os pobres sem nada”.
Esse último parágrafo o senhor Rubens fala ser a resposta das crianças se indagadas sobre o que estão celebrando.




Pois, eu vou mais longe, não acredito nessa percepção, elas apenas sabem, que é dia de se encher de presentes, poder exibi-los, disputá-los, “o meu é melhor”, “o meu é mais bonito”, “eu tenho mais que tu”....E tem aquelas que não admite não ganhar algo que outro ganhou, não interessa se ela ganhou 10 à mais.
Eles terão uma visão de que Natal é dia de liberação, comer o que quer, na hora que quer, verão seus pais divididos entre a farra do desperdício e o mau humor reinante, ou porque não tinha dinheiro para tudo que queria, ou porque se endividou e vai passar o resto do ano pagando. Então, da-lhe bebedeira, para esquecer. Esse o presente mais comum, recebido pela grande maioria de tolos, a ressaca!
Mais adiante... “Pois certo que as celebrações de Natal são orgias de ricos, celebrações do desperdício e do lixo. Celebrações do lixo? Aquelas pilhas de papel de presentes coloridos em que vieram embrulhados os presentes, não são elas essenciais as celebrações? Rasgados, amassados, embolados num canto. Irão para o lixo. Quantas árvores tiveram que ser cortadas para que aqueles papeis fossem feitos. Para quê? Para nada. A indiferença com que tratamos o papel de presente é uma manifestação da indiferença com que tratamos a nossa terra.”
E aqui, mais do que em todo pensamento, eu me rendo a sabedoria do artista das letras, mestre da vida.
Temos distorção de significados, disparidades cruéis, frente ao simbolismo da data comemorativa e como pano de fundo, hábitos e costumes completamente em desacordo.





Não é de forma alguma uma aberração o sentimento de tristeza que se espalha por esses dias, uns pela falta do que não têm, outros pelos que tem essa falta. E ainda, em conseqüência disso tudo temos as campanhas e as benemerências, uns poucos nobres de coração, guerreiro em prol dos menos favorecidos, outros, a maioria, em prol de si mesmo, de autopromoção social, num jogo infernal de grandeza, hipocrisia e culpa.
E o pobre Jesus? O mais esquecido no meio de toda essa miséria humana.
E vocês aí que estão lendo tudo isso, estão a perguntar é, o que tudo isso tem a ver com uma bruxa, uma pagã? Eu respondo. Tudo. Pelo menos com essa aqui que vos escreve.
Primeiro, minha família é cristã, logo assim fui criada. Desde pequena esperei, como toda criança, ansiosamente pelo Natal, ou seria pelo Papai Noel? Fico com a segunda opção. Por quê? Sendo minha família dita religiosa, eu confesso, nunca vi realmente espírito religioso na data, não vou entrar em detalhes (pode virar um livro, rsrsrs), mas vou dizer que dessa percepção, logo ali, vem o segundo motivo, chegou a tristeza, ao invés de oba! Chegou o Natal! Passou a ser, já é Natal, de novo!!!!
Logo, sou uma das tristes do Natal.
Contudo no meio dessa tristeza eu cresci, limpando, arrumando e enfeitando a casa para o Natal, eu sozinha...(desculpa materna....não posso fazer nada, trabalho fora...), assim me criei e assim me mantenho, pelo natal (a festa social?). Não, pelo espírito natalino (isso sempre foi mais forte em mim, mesmo quando eu não sabia de nada), ou seja para honrar o nascimento de um avatar.
Haverá bruxos que me queimarão na fogueira, agora eles adoram fazer isso – deve ser revanchismo – ou gostaram do exemplo, tudo o que eles “pregam” estar fora do contexto, ou seja dos “dogmas” bruxescos, deve arder em fogueiras de críticas, deboches e agressões, para uma religião anti dogmas, a coisa se complica...mas, eu alegremente, sinto no meu coração a energia da egrégora crística.



Em honra a esse bebezinho, que nada mais é, do que o bebezinho de YULE, eu arrumo minha casa da melhor maneira que posso e, sim, decoro para o Natal.
Minha árvore, presente de meu marido, no nosso primeiro Natal como casal, já está e com ela o ”meu presépio”, é isso mesmo, o velho presépio que meus pais compraram no ano em que eu nasci, a 48 anos. Do mesmo modo na porta está a mesma guirlanda, muitas vezes restaurada por mim. E nisso reside todo um significado, sei que faço isso para mim mesmo, porque me faz bem ao coração e ao espírito, poderia dizer que é pelo meu marido católico, por meus filhos, que são criados recebendo as duas orientações religiosas, mas não, minha fé é tranqüila, e não preciso me esconder atrás de ninguém.
E soube disso com clareza no Natal passado, nos primeiros dias de janeiro, fizemos um almoço para uns amigos; amigos meus, bruxos.
Eis que uma distinta bruxa, chega, olha minha sala e exclama “mas o que! Isso é uma casa de bruxa? Onde já se viu, enfeites de Natal....” (isso tudo sem nem cumprimentar....e, ela nem tinha sido convidada...). Meu marido veio de lá, rindo ....”mas, ué??? É casa de bruxa, também, mas também é minha, e eu sou católico, rsrsrs” e eu completei, “justamente por eu ser bruxa, sou dona das minhas escolhas, eu também festejo o Natal e vou sempre festejar, porque faz parte das “minhas escolhas”, da mesma forma que sendo criada entre católicos, sempre fui “diferente” pelo simples fato de ser bruxa, o que não foi propriamente uma escolha”.
Juntando o hoje e o ontem, pude compreender parte da minha tristeza, senão toda ela. É a melancolia de ver algo tão lindo e sublime, ser tão desmerecido entre os que deveriam honrar com toda sua fé, devoção e amor. Sinto o menino Jesus um bebê órfão, com uma grande família, mas, solitário em sua manjedoura, esperando ser pego no colo, ser abraçado e acarinhado, em cada Natal, ano após ano...pelo menos isso.

Mas, o bebê se perde entre comidas, bebidas, presentes e pilhas de papel. Aqui outro ponto - os papeis, desde pequena, nunca conseguia me livrar deles, eram tão lindos! Também eram parte do presente. Sempre tive serventia futura para eles, recortes para enfeitar os cadernos, forrar cadernos, livros, armários, fazer roupas para as bonecas de papel, usar no próximo ano para embrulhar presentes que vem sem embrulho “chique”. Pois é, sou assim...e convencionalmente chamada de “lixeira”, por conta dos papeis, jornais, pets, etc. Mas, tudo bem na época em que os brinquedos singelos dos natais da infância do Sr. Rubens, são inviáveis perto dos games, computadores, celulares, brinquedos caríssimos, bonecas que falam, andam, fazem xixi, autoramas sofisticados, bolas que custam uma fortuna, porque são oficiais....e por aí vai...esse ano vou eu mesmo fazer o presente da minha afilhadinha, a Manu, e do João, o afilhadinho. Ele vai receber uma caixa de papelão, devidamente forrada com papeis de ontem, bem colorida, contendo os bonequinhos do Julio, meu ex pequeno. Ele vai gostar, pelo menos os olhinhos do pequeno brilham de faceiros cada vez que o Julio “empresta” um bonequinho daqueles....um só...fará muitos deles, kkkkk que agora serão todos seus.
A Manu vai receber um móbile feito com pets, onde ficarão fadinhas a se balançar.....
E eu? Bem, eu estou muito bem obrigado, sei que não estarei feliz no total, virá aquela tristeza, mas sei acima de tudo, o porque dela existir, e quando olhar o bebezinho no presépio, e vier a emoção que me dá vontade de chorar, vou ficar tranqüila em saber, que isso acontece pois, sinto no coração o espírito de Natal.
Sem grandes festas, sem bebedeiras, tudo simples ao gosto do aniversariante....como aliás, festejo os meus sabás.... Bem, concluindo, na casa da bruxa, um extraterrestre saberia exatamente o que se celebra no dia de natal.

Benção Natalinas à todos!

Luma Elora Aislin

Um comentário:

Karen disse...

Amei o seu blog! Parabéns! Me identifiquei muito com seus pensamentos. Me considero uma bruxa torta - kkk - Sou bruxa de alma, de coração, desde pequena me sinto assim, mas não sigo a wicca. Sou medium, sou espirita. Mas que diferença faz, sou uma só, somos todos iguais. Desejo feliz Natal e um ano novo cheio de boas energias pra vc.